Joel, já falando mais que o normal, puxou pelo braço, de forma delicada, a moça ao seu lado, concentrando todas as suas forças na língua para que sua fala saísse melhor que um urro de babuínos famintos, tamanha era a sua nervosidade.
“Lumara, ouça, preciso conversar-te, mas somente a ti interessa”
“Sem problemas, mas podemos aguardar um instante para que o efeito do vinho passe, assim poderei recordar do que me dirás.”
“Sem problemas...”
Os dois pararam com a bebida e depois de tempo suficiente, os dois se ausentaram da mesa, algo que passou despercebido pelos demais convidados de Joel.
“A noite está linda, não é Joel?”
“Tão linda quanto seus –“
Antes que pudesse terminar a frase que a tanto tempo sonhava em dizer, Lumara o abraçou de forma diferente e o beijou de jeito apaixonado, fazendo que o gosto do mel que vinha de sua boca, e o cheiro de rosas que exalava do seu corpo deixasse Joel atordoado e aceso estranhamente.
“Eu, eu, eu...”
A frase que ensaiara tantas vezes, e repitira de tal forma orativa, agora parecia vazia diante do sentimento tão grandioso que percorria suas veias.
“Eu te amo, eu te amo, e sinto como se pertencesse a seus olhos, suas mãos, seus domínios. Minha alma está tão presa a sua, que mal vejo modo de me afastar.”
“Mas não há motivos para isso” Disse Lumara, sorrindo.
“Eu sei que não, nunca nos toquemos, pouco nos falamos, dificilmente nos vimos, não há moti-“
Antes de completar o pensamento, a garota o beija mais uma vez.
“Não, tolinho! Não há motivos para nos afastarmos, pois te desejo e te amo de mesma maneira.”
Beijaram-se mais uma vez, e diversas vezes mais.
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